Na semana passada assisti Violeta foi para o céu, um filme produzido pelo chileno Andrés Wood e ganhador do Festival Sundance 2012.

Para quem não sabe/conhece, Violeta Parra foi a artista mais completa que a América Latina produziu no século XX: pintora, bordadeira, instrumentista, escultora, compiladora, cantora… Além de muitos outros atributos, Violeta foi a grande representante folk de gerações oprimidas – pela pobreza e/ou pela ditadura. Bem antes de Bob Dylan, o folclore já era exaltado pela artista.

Sendo a mais velha de sete irmãos, fruto de um relacionamento de sua mãe com um índio mas criada por outro homem – à quem sempre chamou de pai – Violeta Parra nasceu e cresceu miserável pelo interior do Chile. Aprendeu e desenvolveu a maior parte das suas habilidades artísticas apenas olhando os adultos e herdou, de seu pai, um velho violão que, após a morte deste, tocava pelas ruas para ajudar no sustento da família.

Com talento para a música, seguiu carreira cantando as vidas simples de seu povo e a natureza a seu redor.

Teve três filhos (a mais nova faleceu de mal súbito) e migrou para a Polônia na época em que o Regime Militar do então general Pinochet mostrava sua face mais dura. Morou alguns anos neste país e se apaixonou por um artista suíço, Gilbert Fàvre. Viveu também em Paris onde chegou também a ter quadros e tapeçarias expostas.

Regressou ao Chile já consagrada mundialmente e com intenções de fundar a Universidade do Folclore Chileno – além de manter uma tenda musical.  Todavia, quando tudo mais falhou, suicidou-se deixando para nós seus filhos talentosos que até hoje propagam sua obra com respeito e dedicação.

O filme de Wood, mesmo não contando “nada de novo” sobre a vida da artista, merece atenção especial, não só pela opção de uma narrativa não linear mas, especialmente, pela união desta com as digressões atemporais muito bem interpretadas pela atriz Francisca Gavilán (intérprete de Violeta).

Violeta Parra é uma mescla delicada mas com a personalidade dos elementos que a natureza oferece e a força que o ser humano faz para tentar apreendê-los e encaixá-los no cotidiano. Nesse sentido, o diretor, tendo plena consciência do que faz, encaixa as digressões e os retratos naturais num plano seqüencial tão perfeito (REPITO: não se trata de linearidade) que, ainda que o desfecho seja trágico, a artista parecia realmente não poder ser conduzida à outro caminho. E, fazendo das palavras dela,

“La vida es más fuerte que una canción, una imagen, una película. Ella es más fuerte que la vida misma.”

(“A vida é mais forte que uma canção, um quadro, um filme. Ela é mais forte que a própria vida.”)

Assim, arrebentada por uma vida tão intensa, Violeta foi para o céu.

Assisti a esse filme na Reserva Cultural, aqui em São Paulo.

Estreou dia 07/06/2012 e ainda está em cartaz!

Corre para assistir! Vale a pena🙂

Mais informações:

http://www.violetaofilme.com.br/

Ou na fanpage:

https://www.facebook.com/VioletaFilme

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