Jornalismo no Brasil é uma coisa complicada. Eu, que já trabalhei uns bons anos nessa área sei bem o que é receber um “cale-se” do seu supervisor camuflado na forma de “acho que seu ponto ponto de vista diverge da nossa atual linha editorial”. Todavia, acho que ser jornalista ou tentar exercer a profissão tem se tornado difícil em quase todos os lugares do mundo.

Mas, de vez em quando, surgem umas figuras notáveis no meio – ainda que em emissoras não tão notáveis assim. Nós que conhecemos a Rede Globo mais de perto sabemos que ela manipula SIM e muito bem seus telespectadores. Entretanto, vamos deixar essa discussão para outro dia. Hoje, temos que falar que uma das poucas pérolas REAIS que essa emissora já teve: o repórter Tim Lopes.

Tim morreu em 2002 vitimado por sua profissão; ele era um repórter do tipo que não bastava relatar, ele tinha que “entrar” na denúncia; averiguar os fatos.

Segundo dados da WikipédiaArcanjo Antonino Lopes do Nascimento, conhecido como Tim Lopes, (Pelotas, 18 de novembro de 1950 — Rio de Janeiro, 2 de junho de 2002) foi um repórter brasileiro, produtor da Rede Globo desde 1996.  Segundo amigos, o “nome artístico” teria sido dado pelo próprio Samuel Wainer, devido à semelhança do jornalista com o cantor Tim Maia. Uma de suas primeiras reportagens foi publicada na década de 1970, no jornal alternativo “O Repórter”. A matéria relatava as precárias condições de trabalho dos operários na construção do metrô do Rio. Para produzi-la, Tim Lopes trabalhou como peão na própria obra. Trabalhou também na sucursal do Rio de Janeiro da Folha de São Paulo, nos jornais “O Dia”, “Jornal do Brasil” e “O Globo” e na revista “Placar”. Na TV Globo, participou de uma série de reportagens do programa “Fantástico”, que promoviam o encontro de familiares de vítimas com assassinos presos. Internou-se por dois meses em uma clínica para dependentes químicos para uma reportagem sobre o assunto. Em 2001, Lopes foi um dos ganhadores do Prêmio Esso. Era considerado pelos colegas de profissão como um dos mais corajosos e audaciosos repórteres investigativos em atividade. (fonte: Wikipédia)

Contudo – e esse é, provavelmente, um dos maiores pecados da Rede Globo – o grandioso Trabalho Jornalistico de Tim não foi protegido. Ainda, segundo dados dispostos na Wikipédia, “a jornalista e ex-produtora do Jornal Nacional da TV Globo, Cristina Guimarães, que dividiu o Prêmio Esso com Tim Lopes, produzia com ele as matérias de jornalismo investigativo do telejornal. Ameaçada de morte, saiu da emissora sete meses antes do assassinato de Tim Lopes. Segundo ela, a direção de jornalismo da Rede Globo foi informada sobre as ameaças que sofria por parte dos traficantes, mas nada fez para protegê-la.

” Eu falei sobre os riscos que estávamos correndo sete meses antes de os traficantes do Alemão matarem o Tim Lopes. Eu implorei por atenção a estas ameaças e o que fez a TV Globo? Ignorou tudo. Sete meses depois, eles pegaram o Tim. Na ocasião do Prêmio Esso, antes de o Tim ser morto, eu liguei para ele e o alertei sobre os riscos de ter exposto seu rosto nos jornais. Na nossa profissão, é preciso ter muito cuidado para mostrar a cara. É muita ingenuidade achar que traficante não assiste TV e não lê jornal.” Posteriormente, a jornalista entrou com uma ação judicial contra a rede, reclamando da falta de segurança para os jornalistas da emissora. Afinal, sempre em razão das ameaças sofridas, Cristina decidiu sair do Brasil.

Por volta das 17 horas do dia 2 de junho de 2002, domingo, Tim Lopes foi até a favela Vila Cruzeiro, no bairro do Complexo do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro, com uma microcâmera escondida numa pochete que levava na cintura, para gravar imagens de um baile funk promovido por traficantes de drogas. Ele havia recebido uma denúncia dos moradores da favela de que no baile acontecia a exploração sexual de adolescentes e a venda de drogas. Iria verificar também a informação de que os traficantes construíram um parque infantil numa via de acesso à comunidade, para dificultar a ação da polícia, e que desfilavam armados de fuzis.

Os traficantes estranharam a presença de Tim Lopes no local. Há suspeita de que, uma vez descoberto, sua morte tenha sido decidida como vingança pela reportagem feita anteriormente, sobre a venda de drogas no morro, veiculada em agosto de 2001 pela TV Globo. Depois dessa reportagem, vários traficantes foram presos e o tráfico da região teve um prejuízo em suas atividades criminosas por um longo tempo. Outras hipóteses são de que Tim Lopes tenha sido confundido com um policial ou um informante da polícia.

Segundo testemunhas, a morte de Tim Lopes foi definida pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho, que dominava o Complexo do Alemão. As investigações indicam que participaram do crime outros nove traficantes de sua quadrilha. Antes da execução, os traficantes fizeram uma espécie de julgamento para decidir sobre a morte do jornalista. Ele foi torturado, antes de morto com uma katana. Em seguida, o corpo teria sido esquartejado e queimado – método popularmente chamado como “microondas”, usado para ocultar o cadáver e o crime – na localidade da Grota.” (fonte: Wikipédia)

Obviamente que, após esse acontecimento tenebroso, o traficante Elias Maluco e seus comparsas foram cassados até não restar nenhum deles solto/vivo.

Agora, 10 anos depois de sua morte, o cineasta Bruno Quintanella, refaz alguns dos passos mais importantes de Tim na sua profissão e nos traz  “Histórias de Arcanjo – Um documentário sobre Tim Lopes”. Ele foi exibido pela primeira vez este ano no 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que aconteceu em São Paulo durante os dias 12,13 e 14 de julho deste ano. Aliás, a Abraji (sigla para Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) que sediou o Congresso e apóia o filme só foi fundada após a morte de Tim Lopes.

Aqui eu deixo o trailler para vocês e aguardo ansiosamente uma data para a exibição desse documentário. Essa é uma daquelas fatídicas mortes que não pode desaparecer na já tão curta memória do povo brasileiro.

Trailer do doc “Histórias de Arcanjo”, sobre Tim Lopes (exibição de trecho no #congressoabraji) RT@abraji

Mais informações:

ABRAJI – http://www.abraji.org.br/

Congresso ABRAJI 2012: http://congressoabraji2012.wordpress.com/

Sobre o filme: http://lopestim.blogspot.com.br/2010/06/filme-em-homenagem-tim-lopes.html

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