Neste mundinho dito moderno toda mulher parece ter uma constante necessidade de afirmar alguma coisa. Seja o que for. Depois das sucessivas revoluções que emanciparam – EM PARTE – uma boa quota das mulheres o movimento feminista parece ter ficado louco: quer, a todo custo, fazer valer conceitos furados e sem base – até para o próprio movimento.

Antes de entrar em duas questões que abordei/discuti essa semana, vamos relembrar uma coisa: o próprio movimento feminista. Para quem não sabe, não estudou, não lembra ou simplesmente ignora, o movimento feminista é

“…um movimento que tem origem no ano de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque. Este movimento adquire cunho reivindicatório por ocasião das grandes revoluções. As conquistas da Revolução Francesa, que tinha como lema Igualdade, Liberdade e Fraternidade, são reivindicadas pelas feministas porque elas acreditavam que os direitos sociais e políticos adquiridos a partir das revoluções deveriam se estender a elas enquanto cidadãs. Algumas conquistas podem ser registradas como conseqüência da participação da mulher nesta revolução, um exemplo é o divórcio.

Os movimentos feministas são, sobretudo, movimentos políticos cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Além disso, os movimentos feministas são movimentos intelectuais e teóricos que procuram desnaturalizar a idéia de que há uma diferença entre os gêneros. No que se refere aos seus direitos, não deve haver diferenciação entre os sexos. No entanto, a diferenciação dos gêneros é naturalizada em praticamente todas as culturas humanas…” (fonte: http://www.infoescola.com/sociologia/feminismo/)

Independente do que tange à diferenciação dos gêneros (não é sobre isso que eu quero falar diretamente), o feminismo surge como emancipação da mulher frente à sociedade patriarcal e opressora.

Lindo conceito, não?!

Pois é…. mais de um século e meio se passou e uma boa parte da sociedade continua igual: PATRIARCAL e OPRESSORA. Em especial algumas alas do chamado “feminismo pós-moderno”. Vejamos: nessa semana duas notícias chamaram minha atenção, uma delas envolvia diretamente o movimento feminista outra – na minha opinião a que deveria – não.

Segunda-feira, 7h da manhã: meus ouvidos na rádio são bombardeados pelos protestos de feministas que lutam pela “pílula do homem”. Suspiro – profundo. Analisemos a questão: segundo algumas alas ditas (e vocês entenderão porque eu falo “ditas”) feministas, a pílula anticoncepcional feminina é uma opressão sob nossa liberdade sexual e corpo. Dessa maneira, defendem que a pílula deveria ser para o homem tomar. Desculpem moças, mas, já diz o jargão da internet “vocês estão fazendo errado”. Na verdade, é o contrário. A pílula anticoncepcional é um importante passo (dos muitos que devemos dar) para a verdadeira emancipação da mulher: com ela, a pílula, nós pudemos trabalhar fora de casa; ter uma maior liberdade sexual e a escolha de engravidar ou não – praticamente em qualquer tempo. Obviamente que ela não é perfeita: já teve muito hormônio, pode provocar doenças associadas e não previne nenhuma DST. Todavia é um método funcional e que tem ajudado muitas mulheres: alou dona feminista!!!! Se a senhora está na rua gritando – seja por alguma bobagem grotesca ou por alguma causa real – é porque você não está em casa, grávida SEM VONTADE. (Mas aposto que nunca pensou nisso, claro)

Agora vejamos, se a pílula fosse masculina e não feminina: o que aconteceria de fato?!

Francamente, o caos. Hoje, e espero que sempre mais, existem muitos homens que incentivam mulheres em geral a se emanciparem para a vida. Mas, uma grande maioria, infelizmente, não é assim. Imaginem a pílula masculina numa mão conservadora: a mulher retrocederia mil anos. Nessa hipótese ficaria à cargo e responsabilidade do homem a utilização do anticoncepcional e a incumbência de fazer ou não filhos. Dessa maneira, um conservador machista poderia fazer um sua mulher objeto simplesmente mantendo-a constantemente grávida – pois, como a minha avó, mãe do meu pai, disse “era impossível trabalhar fora e dentro de casa estando constantemente grávida” (minha avó teve 22 filhos). Isso é só um dos muitos complicadores que este ato defendido por essas moças confusas teria como resultado. Com a pílula em nossas mãos temos o poder de escolher nossa emancipação e até de adiar uma gravidez por falta de recursos e/ou vontade e/ou outros planos. Mas vamos um pouco mais além: um homem conservador que só usa camisinha por medo de engravidar uma prostituta ou amante, com a pílula masculina não teria essa preocupação e, muito provavelmente, se recusaria a ter relações com uma mulher que utilizasse camisinha feminina. Dessa maneira, faríamos o número de casos de DST explodir novamente.

Isso é apenas um dos fatos que corroboram para o movimento feminista perder força no mundo. Tanto quanto esse tipo de ato impensado ou as gurias do FEMEN que só aceitam integrantes “bonitas”, uma notícia que deveria chamar a atenção do movimento – caso ele fosse sério, claro – e nem sequer foi citado: o leilão de virgens.

Leiloar virgens, homens ou mulheres, é um prática antiga, comum, mas considerada um tabu no mundo atual. Muita gente vai e participa, mas todos negam. Eu poderia falar do curioso leilão de virgens de algumas igrejas anglicanas onde moços e moças prometem a castidade aos pares; poderia ser extrema e abordar questões duras, como no primoroso filme Anjos do Sol (2006, direção de Rudi Lagemamm) mas não, estou falando sobre o curioso “Virgens Wanted” que teve como arremate final hoje a virgindade de uma brasileira e a virgindade de um russo.

O Virgens Wanted é um projeto interessante: se a intenção fosse a dessacralização total da condição “virgem” (como há uma referência numa animação feita para divulgação mundial) teria meu total apoio; afinal não é todo dia que você vê imagens de santas retratadas de forma satírica sem ser perseguido. Mas não, como o site da emissora que encabeça o projeto diz, a intenção era realizar um Reality Show mas, na inviabilidade, acabou virando um documentário (link, aqui). O próprio termo “documentário” soa absurdo, já que não se encaixa na proposta veiculada pela emissora: geralmente o documentário tem pouca ou nenhuma inferência da equipe e aqui há um grande aporte de patrocínio por trás.

Se você olhar o site do VW verá que a brasileira Catarina teve sua virgindade arrematada em quase 800 mil dólares enquanto o russo pouco passou dos 3 mil dólares. Muita gente alega, sob falso moralismo, que “o corpo é deles, podem fazer o que quiserem”. Sim, isso é verdade, mas, nesse caso, até que ponto?! Ninguém ali está leiloando de forma AUTÔNOMA sua virgindade; há uma série de regras para isso; contratos; dinheiro (muito dinheiro) envolvido.

Quando alego que as “ditas” feministas abraçaram a causa errada preferindo falar da pílula masculina (grande bobagem!) ao abordar essa aberração de “leilão de virgens” é porque, ao que me parece, essas moças não se importam em ver uma mulher sendo exposta feito gado, com preço e “comprador”. Estranho… não é exatamente esse tipo de prática que deprecia a mulher e a reifica que o movimento feminista devia combater?! Sim, deveria. E vamos um pouco além: um movimento que emancipa de verdade acaba não só por defender a sua causa específica, ele transcende. Está confirmado que o “detentor da virgindade de Alexander” é um homem e os produtores estão com medo de que ele desista. Embora o contrato preveja que o “arrematador” possa ser de sexo igual ao do participante e supondo que esses dois jovens sejam mesmo virgens e decididos em ser heterossexuais imaginem o trauma que essa experiência forçada e forjada via contrato vai provocar neste jovem. Se o feminismo fosse sério, abraçaria a situação dele também – ninguém deve ser obrigado a manter relações sexuais com uma outra pessoa que não seja de seu agrado.

Mas o movimento quer a pílula masculina e nada mais. E existe um laboratório desenvolvendo esse artefato. Parabéns moças! Graças às ideias de geríco como essas em breve teremos mais gente leiloando (pretensas) virgindades feito gado e compradores do sexo masculino tranquilos…pois não engravidarão ninguém. Se banquetearão com essa nova promessa farmacêutica. Camisinha pra quê? Emancipação pra quê?

Essas moças deveriam estudar mais.

4 responses »

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  2. SaiDaqui! says:

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