Nunca neguei minha paixão pelos centros de estudo. Fossem eles colégios, locais de cursos livres ou Universidades. Sempre sonhei com o dia que pisaria na USP, em Harvard ou no Trinity College. Como estudante ainda não pisei em nenhum deles, todavia já visitei Harvard e tive a oportunidade de participar de alguns Congressos na USP.

A Universidade de São Paulo (USP) ainda é o sonho dourado de muito estudante: não só pelo fato de ser pública (sem mensalidade) mas, especialmente, por ser considerada a melhor e mais completa Universidade da América Latina. Como toda coisa pública (e a maravilha dos leitores enlouquecidos como eu) a USP é aberta não só aos estudantes mas à toda comunidade (ou seja, nós) que contribui com impostos. Apesar de não se poder retirar um livro da biblioteca, por exemplo, pode-se frequentá-la e ler por lá mesmo.

Entretanto, de uns anos para cá, a Universidade de São Paulo têm se apartado da comunidade e se fechado cada vez mais. Seu mais recente reitor, o senhor João Grandino Rodas, tem progressivamente isolado o campus do Butantã com catracas, vigilância, implementando custos nos circulares e a proibição de algumas linhas de ônibus (leia o artigo do DCE-USP). Ele coloca a “culpa dessa situação” na ausência de segurança – como se bandido só andasse de ônibus ou a pé, claro. Entretanto, Rodas é uma figura não-grata pelos alunos da USP não só por essas medidas restritivas, mas por assuntos mais antigos, como utilização da verba pública para fins particulares.

Assim como Rodas, Anna Cintra, a nova reitora da PUC-SP também têm se mostrado favorável ao fechamento da universidade para o público em geral – cabe lembrar que a PUC, embora particular sempre permitiu o acesso livre às suas dependências por causas ideológicas relacionadas com os tempos da Ditadura. Anna Cintra não foi eleita por maioria de votos. Na verdade ela ficou em terceiro lugar na votação para a Reitoria. Ainda que a escolha dependa da anuência de um grão-chanceler, os alunos, professores e funcionários discordam da posse pois alegam que as políticas encabeçadas por ela não são consoantes com os demais projetos da universidade.

Para quem está envolvido com educação sabe que estes exemplos que dei são apenas emblemas da situação atual de nossa educação. Aliás, a educação no Brasil é tratada como um feudo – que não pode abrir as portas para seus serventes, sendo apenas reservada a um pequeno grupo de privilegiados. Não me refiro apenas as aulas ou a formação universitária, falo, principalmente, sobre o ambiente universitário, as palestras, as bibliotecas. Em todas as nossas universidades e faculdades há muita coisa boa sendo produzida e sendo pouco divulgada: tudo fica restrito, velado. O ambiente escolar, independente de sua natureza (pública ou privada) teoricamente deveria ser compartilhado exatamente porque sua proposta é a de veicular conhecimento.

Caso o leitor não saiba, as universidades estreladas lá de fora (como Harvard, Yale, Trinity College, etc) são particulares. Há famílias que juntam dinheiro uma vida toda para poder colocar os filhos lá. Contudo, se eu ou você quisermos entrar na biblioteca, numa palestra, passear pelo Campus ou até assistir alguma aula poderemos; já que nenhuma delas possui travas para circulação de pessoas.

O que estou tentado colocar em pauta não é a discussão sobre o público e o privado, mas sim ao que nossos ambientes de ensino têm se prestado. A educação não é um produto, não deve ser tratado como tal.

Por exemplo: alguém já viu uma banca de alguma universidade?! Tanto pública como privada?! Talvez só a própria e olhe lá. Uma banca é um espaço convidativo ao debate e a troca de conhecimento e em tese é aberta ao público…. mas tente entrar numa universidade particular para assistir uma banca; no Brasil será difícil.

Todo ambiente escolar tem como propósito fundamental a difusão e o debate do conhecimento. Mas, infelizmente, o que tem ocorrido é um encarceramento desse conhecimento na sua relação com a sociedade. Nota-se o desinteresse pelo constante estímulo da busca do conhecimento.

Cabe lembrar que, se queremos uma sociedade a qual forme seres pensantes devemos observar a transformação dos espaços destinados à educação – seja esse espaço público ou privado. Fechar os olhos para condutas abusivas como às impostas por Rodas ou Anna Cintra pode resultar numa geração inteira PhD em Go Horse Process.

Pense Nisso.😉

5 responses »

  1. […] Feed By Frames – Rodas travadas para a educação  […]

  2. […] Feed By Frames – Rodas travadas para a educação Do Que Os Gays Gostam – Beleza Masculina – O que não pode faltar na necessaire? Bacon Frito – Estréias da semana – 07/12 Uarévaa – Podcast #119 – “Você tem certeza que fez tudo o que podia pelo seu semelhante?” Sai Daqui – Sobre internet, imaginação e sexo Manual das Encalhadas – A cara do tédio: como identificar se seu namorado está de saco cheio Tem Graça ou Não – Pegadinha da caveira na moto […]

  3. SaiDaqui! says:

    […]  RODAS TRAVADAS PARA A EDUCAÇÃO […]

  4. […] da semana 07/12 Rodas travadas para a educação Beleza Masculina – O que não pode faltar na necessaire? Tudo que rolou no Metrics Summit […]

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