O Brasil teve último semestre de 2012 praticamente tomando por notícias relativas ao “mensalão” e seus desdobramentos perante a justiça. Nada teve tanta repercussão, seja aqui, seja lá fora: copa, eleições, natal, carnaval…. tudo foi suplantado pela expectativa geradas pelo julgamento que ainda não terminou. Obviamente que este é um assunto importante para nós brasileiros já que envolve a alta cúpula da política e do partido que ainda está no poder. Contudo, apesar de algumas condenações, qual a real valia desse cenário?!

Não sou jurista, promotora ou advogada; apenas leio bastante sobre leis e política – pois são assuntos que me interessam. Nessa minha vida de jornalista já vi gente sendo presa pelos mais diversos delitos e tendo seus bens confiscados por delitos bem mais “suaves” (isso quando havia algum delito!) do que os praticados por esses senhores do mensalão. Minha questão ao abordar o problema sob essa ótica não é diminuir o peso desse julgamento mas apontar o ponto central ao qual, acredito, deveria ter sido abordado antes de qualquer passo do nosso judiciário: onde está o dinheiro?! Cabe lembrar que o mensalão é essencialmente um crime de desvio de verbas públicas para… aí está a questão: para o bolso dos acusados? Para suas empresas? Para terceiros? Ninguém sabe ao certo. Pode ser uma dessas opções, podem ser todas, ou pode ser uma outra coisa que nem eu nem o judiciário parece saber. Mas, independente ao quê se destinou essa verba desviada até o presente momento não se cogitou em arresto de bens, confisco de contas bancárias e afins. Se o crime é de ordem financeira – como é óbvio – nada mais certo que se persiga a parte das finanças que “sumiu”, certo?! Um exemplo foi o da prisão do Juan Carlos Abadia no Brasil. Embora a natureza de seu crime fosse outra (tráfico internacional de drogas) seus bens foram confiscados e até leiloados num curtíssimo período de tempo (para os padrões legislativos brasileiros). Muito se fala em condenações exemplares, prisões, a mídia e as pessoas parecem querer o sangue desses criminosos de colarinho-branco mas ninguém toca no assunto do dinheiro desviado; esse parece algo secundário nas pautas. E… por quê?!

 A situação na qual se encontra a antiga alta-cúpula petista tomou vultos de uma vingança pessoal e ideológica na qual cada brasileiro (que provavelmente nunca votaria no PT) quer apenas atacar e encarcerar as mesmas ideologias que ainda giram sob a (pseudo)ala esquerdista do país. Como se dissessem: “está vendo? Isso é o que dá votar em comunista…” (sim, eu ainda continuo ouvindo que PT é a mesma coisa que comunismo.) Todavia, não é. Na verdade nunca foi.

Mas vamos sair da esfera mensalão: ela é restrita ao que quero abordar de verdade nesse texto. Lembram-se do filme Matrix? Embora acredite que quase todos já tenham visto, resumidamente, o longa-metragem aborda uma história ficcional na qual a “realidade” vivida por 90% das pessoas é feita por computação gráfica (praticamente holográfica) e apenas poucos sabem a “verdadeira realidade” que está por trás dessa holografia. Neo, personagem vivido por Keanu Reeves é o ponto de contato entre esses dois mundo a partir do momento que aceita uma missão e passa a combater essa realidade ficcional a fim de libertar as outras pessoas dessa “matriz”.

[continua…]

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