Uns dias atrás eu estava no site do meu querido Cid, o Não Salvo e me deparei com essa coluna, a “#37 Jênios Incompreendidos do Twitter” que está na 5ª Edição já. Essa coluna surgiu como uma brincadeira para ressaltar a quantidade de erros que as pessoas estão cometendo no twitter, especificamente. Parece uma piada leve e despretensiosa se não fosse pelo fato de tantas pessoas incorrerem em erros tão básicos de alfabetização. Antes que digam alguma coisa a respeito, não, eu não estou criticando o Cid por essa coluna (até porque dou bastante risada com o site dele); ele vive de humor e o que ele mostra acaba sendo um tipo de humor digamos… de cunho “espontâneo” (dos que erram, claro). Não há nada de errado com ele ou com a sua coluna; o erro está em nós que apenas encaramos essa coluna como zombaria. Se o pessoal do Não Salvo possui alguma outra interpretação para esses erros, eu não sei. Entretanto, eu tenho.

Ao contrário do que é costume dizer, “que você não devia se preocupar com isso” mas sim ir cuidar “de coisas mais importantes”, creio que tudo importa, na verdade. Analisando essa coluna do Não Salvo (independente das intenções dele) podemos chegar à conclusão de que a nossa educação (sim a nossa, pois, independente se você mantém seus filhos em colégios particulares de alto nível, essa educação é nossa pois sai de nossos impostos – e a “desculpa do imposto” é perfeita para os que não se importam de fato, pois revela que alguns acontecimentos acabam tendo atenção somente porque de alguma maneira há dinheiro particular envolvido) não vai nada bem. Os erros que o site coletou e inclusive o motivo do erro proposital do título da coluna “Jênios e não Gênios, como é ortograficamente convencionado” poderiam desdobrar inúmeras possibilidades de debates: afinal, “augo” (algo), “paçei” (passei), “dissionário” (dicionário), “axo” (acho), “alto escola” (auto-escola) são erros de gramática tão elementares que não deveriam ser admitidos – ao menos pelo nível de alfabetização que essas pessoas possuem. Mas as pessoas continuam achando que o entretenimento é algo que redunda em si. Isso pode ser verídico em humor rasteiro, todavia não se confirma para o humor inteligente. E a coluna “Jênios…” é humor inteligente. Ela parte do princípio da lógica inversa de que o que é explicitado é tão grosseiramente absurdo que sequer deveria existir.

Eu costumo ser esse tipo de pessoa que sempre vai tentar enxergar entrelinhas. Especialmente se achar a “pauta” interessante. Dia desses eu tentei colaborar com uma revista que aborda street art. Um dos organizadores me chamou de lado e perguntou se eu gostaria de elaborar posts de conteúdo – qualquer conteúdo. Eu sugeri temas ligados à arte na rua e obtive como resposta “então, a gente vetou política”. O detalhe é que eu não tinha falado que escreveria DIRETAMENTE sobre política, mas eu havia falado sobre políticas públicas (e a ausência dessas). Quem acompanha meu blog ou a street art sabe que são temas intimamente coligados nas mais diversas correntes de pensamento e ação.

Infelizmente as pessoas têm segmentado tanto os assuntos que já não conseguem olhar para o que está óbvio. Creem que não pode haver discussão para fora de um tema ou acham que não existe um entrelace de assuntos. Este é o mesmo tipo de pessoa que acredita na máxima de que “política, religião e futebol não se discutem” – só para exercitar o chavão. Eu sei que tudo deve ser discutido, SEMPRE. Para esse tipo de gente, deixo as palavras de Saviano:

“Isso é o indiferentismo, isso significa não participar. Mas não participar, considerar que aquilo que acontece ao seu redor não lhe diz respeito, significa entregar o país aos poderes que sabem organizar e gerir o consentimento, e que tiram tudo de você. Considerar o Estado algo separado de nós significa perder a possibilidade do direito. O Estado não é separado de nós, o Estado somos nós.” (SAVIANO, Roberto. A Máquina da Lama. p.116, Companhia das Letras. SP/2012)

Embora o exemplo de Saviano seja para política, este se aplica em qualquer situação. A indiferença causa uma espécie rara de estrabismo que segmenta a vida e te desestimula à ação. Nada está separado na dinâmica de poderes. Seja no humor ou na política, existe um fio condutor o qual intenções são explicitadas e cabe a você captar.

O jogo não é claro meus amigos. Ou ainda acabaremos vendo “jênios” se repetirem.

Pense nisso.

3 responses »

  1. […] Feed by Frames – O mau (do) gênio […]

  2. […] 2013 será dia 21/02, mais informações aqui Feed By Frames – O mau (do) gênio DQOGG – Treze Minutos ou perto disso… Bacon Frito – Estréias da semana – 18/01 […]

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