1 – Trabalho

Para as pessoas que insistem em achar que determinadas situações são coisas de “terceiro mundo”, por favor, assistam esse vídeo, do canal Human Rights Watch (HRW):

Apesar dos traços claramente chicanos, essas crianças são estadunidenses. Elas nasceram nos Estados Unidos, tem documentos, são “legais” perante qualquer lei. Talvez até sejam filhos de imigrantes ilegais, contudo, isso não é relevante. Mas elas não estão estudando… estão crescendo em lavouras. O trabalho infantil, altamente condenado por aquelas autoridades quando se trata de conceder benefícios e espaços de destaque a países em desenvolvimento ao que se constata vêm sendo praticado em longa escala pelas fazendas locais. Não só pelas fazendas, todavia nelas a situação se demonstra mais crítica: já que os trabalhadores estão expostos a uma série de perigos seja pelo manuseio de objetos cortantes, seja pela exposição a químicos pesados (pesticidas); fora o fato de trabalharem mais de oito horas por dia.

Não bastasse a situação absurda, o próprio departamento de trabalho norte americano, o United States Departament of Labor, parece esconder essa situação; para os números eles são invisíveis. No último relatório (que data de 2000) há o seguinte trecho:

“Although this report concentrates on child labor in the United States, it is both important and appropriate to mention the circumstances of child workers in other countries.” (fonte: Child Labor Laws and Enforcement – p.04)

(na tradução livre)

“Ainda que esse paper concentre seus esforços no trabalho infantil nos Estados Unidos, é também importante e apropriado mencionar sob quais circunstâncias as outras crianças de outros países trabalham.” (grifos meus)

 

E o relatório que deveria ser sobre a força de trabalho infantil DENTRO dos Estados Unidos segue falando das crianças de outros países. Não há dados oficiais, estatísticas, nada. A Estimativa da HRW é de que, atualmente, cerca de 100 mil crianças endossem as frentes de trabalho pesado.

Saindo um pouco da esfera infantil mas com foco na força de trabalho, os Estados Unidos também figuram entre os países que mais violam garantias trabalhistas com seus nativos.

Um excelente trabalho jornalístico sobre o fato é o livro da jornalista Barbara Ehrenreich, Nickel and Dimed, (aqui traduzido com Miséria a Americana). Dentro dessa experiência ela resgata os piores subempregos ofertados aos seus compatriotas e compartilha com seus leitores a vida real fora do sonho americano. Talvez o exemplo mais gritante que ela traz à baila seja o da companhia Wall Mart – símbolo do estilo de vida norte-americano. No livro, Barbara acusa claramente a companhia de ser taxativa e discriminatória com relação às suas funcionárias – salários menores, turnos maiores, e negativas de licença-maternidade. Isso sem contar que quase 70% de sua força de trabalho é feminina mas, nem 20% chega à cargos de chefia. A autora chegou a ser processada pelo Wal-Mart mas o resultado da ação foi infrutífero.

Toda essa condição precária de trabalho abre um buraco na realidade perfeita do American Dream, fazendo com que não só a pobreza floresça, mas que toda margem de abusos surjam e sejam incorporados ao dia-a-dia de muitos trabalhadores.

Trabalho e abuso são temas equânimes quando suas garantias constitucionais já foram violadas. Na próxima semana o tema será exatamente esse.

[continua…]

2 responses »

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