Esse papo já começou há algum tempo, com o Peagá, um grande amigo meu. Essa pauta é sugestão dele, uma homenagem a ele e a todos que – por algum momento da vida – já passaram por uma circunstância parecida.

O seguinte: Peagá me mandou um vídeo do TED, da africana Chimamanda Adichie. Eu vou disponibilizá-lo aí embaixo, para que, mais tarde, você mesmo possa ouvi-lo e tirar suas próprias conclusões.

Esta africana, filha da classe média de seu país, não sentiu fome, não é refugiada, não teve seus pais sequestrados pelas RLA e tampouco sofreu um estupro: ela teve uma vida normal, com pessoas normais. Para ela tudo seguia bem, até ir para os Estados Unidos fazer faculdade. Lá, as pessoas se espantavam quando ela se dizia africana e não tinha passado por todas essas mazelas. Desse dia em diante ela começou a entender e combater a chamada “história de um lado só”. Para as pessoas que a cercavam e haviam crescido com histórias sobre as mais horripilantes mazelas era inconcebível existir uma negra africana como ela.

Partindo desse pressuposto, ao voltar para seu país natal, Chimamanda decidiu tornar-se escritora. E, o inacreditável, é que alguns editores também achavam que as personagens de seus livros não eram “genuinamente africanos” por não portarem uma grande dor ou realizarem ou grande sacrifício. Ela se cansou e decidiu apostar numa própria editora [com parceria de outro africano] para não só estimular a leitura no país [o que muitos diziam ser impossível, devido ao alto grau de pobreza] mas para que os que lessem, pudessem ter a oportunidade de observar a mesma história “por diversos ângulos” sempre que relessem os livros.

Seguem abaixo as sábias palavras de Chimamanda Adichie:

Após a exposição de argumentos dela, queria propor um exercício com todos vocês aqui que me leem. Afinal, quem de vocês já parou para pensar nos “vieses” de uma história?!

Seja na vida particular ou em algo mais publico, toda – repito TODA – história tem dois lado, no mínimo. Mas mal-acostumados que somos, sempre que ouvimos alguma história tendemos a internalizar como “verdade absoluta”. Seja uma aula, uma história de família, uma acontecimento histórico, um livro dito “sagrado”, uma fofoca, um estereótipo… tudo acaba cristalizando dentro de nós e passamos a não aceitar uma outra opinião, um outro ponto de vista. E este é o lado perigoso da história: quando passamos a não aceitar que uma história pode ter um outro lado viramos seres intransigentes, irracionais e extremistas.

Por isso eu deixo um exercício: o exercício de SEMPRE tentar ver o outro lado da história. Enxergar a diversidade, não aceitar tudo que está escrito como algo que não possa ser discutido, questionar quem sempre tentar te dar “respostas prontas” ou interpretar coisas para você. Isso se chama alteridade e ter alteridade não é ter bom senso, mas fugir do senso comum.

Pense nisso😉

PS- Antes que eu me esqueça, o Peagá é o dono do blog Do Que os Gays Gostam🙂

2 responses »

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  2. […] A verdade absoluta: perigo e circunstância de uma história de um lado só A Morte dos Direitos Humanos no Brasil Estréias da semana – 08/03 Mulheres e moto – Combinação mais que poderosa Feliz dia da mulher Compre Roupas e Sapatos com até 70% de Desconto Lançado sorvete de cerveja Game Of Thrones ganha exposição que viajará o mundo! Gostosas do Instagram Blu-ray de A Lista de Schindler em edição de COLECIONADOR no Brasil! […]

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